domingo, 27 de julho de 2014

Fernando de Noronha

Porque ir ???

Acessível por avião ou navio, Noronha não é um destino barato – todos os produtos disponíveis no arquipélago vêm do continente, o que encarece os preços do pãozinho à gasolina. E ainda tem a taxa de permanência e o ingresso para o Parque Marinho, que não são muito em conta. Mesmo assim, não venha para ficar apenas dois dias.

Cada tostão gasto na ilha é muito bem recompensado pelos cenários vislumbrados em cima e embaixo
d´água. Entre eles estão as praias da Baía do Sancho, da Baía dos Porcos e do Leão – listadas entre as dez mais bonitas do Brasil – e os morros dos Dois Irmãos e do Pico, cartões-postais de Noronha.  
Para quem não encarar a descida nem mesmo em um batismo – mergulho acompanhado por instrutor a 15 metros de profundidade em média –, basta uma máscara e um snorkel para se divertir e se encantar com as belezas escondidas nas piscinas naturais do Atalaia, que vão muito além dos peixinhos e dos corais coloridos – tartarugas, arraias e pequenos tubarões dão o ar da graça e nadam lado a lado com os visitantes. O surfistas também fazem a festa em Noronha. De dezembro a março, as praias da ilha - em especial a da Cacimba do Padre - ganham ondas perfeitas que variam de dois a cinco metros. 

Para entender como Noronha, descoberta em 1503, continua tão preservada, é simples.  Até 1982 o lugar funcionou ora como presídio, ora como área militar. Somente nos anos 90 a ilha foi aberta ao turismo, e mesmo assim, com muitas restrições, uma vez que foi transformada em Parque Nacional Marinho e tombada pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural.

Para se ter uma idéia do controle, apenas 240 pessoas podem pernoitar no arquipélago ao mesmo tempo. Estes felizardos curtem ainda as animadas palestras na sede do Ibama/Projeto Tamar, seguidas pelo forró do Bar do Cachorro. Para completar, Noronha está sempre com uma hora a mais que Brasília. Na ilha, é sempre horário de verão!

Pôr do sol

 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Morro de São Paulo

Porque ir ???

Um dos destinos mais cobiçados da Costa do Dendê, a cosmopolita Morro de São Paulo fica na Ilha de Tinharé, a 248 quilômetros de Salvador. Para chegar lá é preciso pegar um catamarã ou um avião na capital baiana, ou então, ir de carro ou ônibus até Valença e dali seguir em um barco ou uma lancha. A logística não é das mais simples, mas a aventura compensa.

O burburinho impera do centrinho (apinhado de restaurantes que servem de comida caseira à japonesa) à Segunda Praia – as praias não são identificadas por nomes, mas por ordem numérica. A Terceira tem movimento tranquilo e algumas pousadas e restaurantes; enquanto na Quarta a tranquilidade reina absoluta. Nas duas últimas, as piscinas naturais de águas transparentes são perfeitas para a prática do mergulho. Além das praias "numeradas", Morro guarda ainda as praias do Encanto (ou Quinta), da Gamboa e Guarapuá.

O estilo pitoresco é reforçado ainda pela proibição do tráfego de automóveis na ilha – mas os pés não são os únicos meios de transporte. Tratores levam os turistas até às pousadas ou aos pontos turísticos por uma estrada de terra paralela à praia. As caminhadas, entretanto, continuam sendo as melhores maneiras de desbravar a ilha e conhecer seus encantos, entre eles, o forte – ponto de encontro na hora do pôr do sol - e o farol, que descortina uma das mais espetaculares vistas de Morro de São Paulo.

 

Chapada dos Guimarães

 Por que ir ???

Impressionantes paredões de arenito vermelho-alaranjado - marcas registradas da Chapada dos Guimarães - dão as boas-vindas aos turistas que aportam no coração do Mato Grosso. Porta de entrada do Parque Nacional, a cidade que leva o mesmo nome da reserva oferece pousadas confortáveis, restaurantes charmosos e uma pracinha que, nos finais de semana, funciona como feirinha de artesanato durante o dia e ponto de encontro dos visitantes quando a noite cai.

A 13 quilômetros do centro, o parque criado em fins dos anos 80 ocupa uma área de 330 quilômetros. O cenário perfeito combina cerrado, cachoeiras e cânions, além de pinturas rupestres e formações rochosas que enchem os olhos de ecoturistas e esotéricos.

As muitas trilhas, desbravadas a pé ou de bike, levam a mirantes naturais que descortinam maciços montanhosos e, em dias claros, avista-se a planície pantaneira e a capital Cuiabá, a quase 70 quilômetros de distância. Os caminhos conduzem ainda ao cartão-postal da Chapada: a cachoeira Véu de Noiva, com 86 metros de queda e vista panorâmica. Lá embaixo, há um poço de águas cristalinas, mas os banhos foram proibidos por conta de um acidente em 2008.

Quem está com o preparo físico em dia deve incluir no roteiro o trekking em direção ao Morro de São Gerônimo, o mais alto da região, com 836 metros de altitude. São cinco horas de caminhada e trinta minutos de escalada - só a ida. O esforço vale a pena levando-se em conta a paisagem panorâmica e as atrações ao longo do caminho: as muitas formações rochosas curiosas, batizadas como Casa de Pedra, Jacaré de Pedra, Cogumelo de Pedra, Totem, Mesa do Sacrifício...

Fora da reserva também há muitas belezas. Uma das mais encantadoras é a caverna Aroe Jari, uma gigantesca gruta de arenito - 1.500 metros de extensão - com inscrições rupestres. Seu conjunto inclui ainda a Lagoa Azul, de águas transparentes e mergulho proibido. Também merece destaque a Cidade de Pedra, emoldurada por rochas pontiagudas que remetem a castelos medievais. As formações espalham-se por cânions que chegam a 350 metros de altura em meio a escarpas freqüentadas por belas araras-vermelhas.

 

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Itaúnas

 Por que ir ???

Era uma vez uma vila de pescadores na beira da praia, quase na divisa do Espírito Santo com a Bahia. Na década de 60, porém, o arraial foi soterrado pelas dunas que avançaram sem dó em função do desmatamento. A turma se mandou para as margens do rio que corta a região e a vida continuou pacata em Itaúnas. Nos idos dos anos 80, a praia escondida por montes de areia fina e dourada foi descoberta pelos mochileiros e ainda hoje se mantém preservada. Graças à criação de um parque estadual em 1991, a natureza pouco mudou e continua a exibir manguezais, riachos, dunas gigantescas e trechos da Mata Atlântica. Já o astral... quanta diferença! Invadida por jovens no verão, o povoado de ruas de terra ganhou pousadinhas, bares rústicos e casas de forró onde a azaração rola solta até o amanhecer.
Dançar forró: Festival de dança anima a vila em julho<br>
Dançar forró: Festival de dança anima a vila em julho
O ritmo ditado por sanfonas, zabumbas e triângulos é tão contagiante na vila que Itaúnas é o cenário do Festival Nacional de Forró, que atrai os fãs do arrasta-pé no mês de julho. O som, como na alta temporada, começa por volta da meia-noite e só terminam quando o sol lança seus primeiros raios. 

O resultado é praia vazia durante toda a manhã, afinal, é preciso estar descansado para encarar dunas, trilhas e estradas de chão para tomar um banho de mar. A praia que dá nome à vila fica a pouco mais de um quilômetro, mas exige escalar um monte de areia que ultrapassa os 20 metros.

Já a selvagem Riacho Doce, uma das mais bonitas da região, é acessada depois de dez quilômetros de caminhada ou de 17 quilômetros sacolejando dentro do carro. Bem mais adiante fica Costa Dourada, contornada por gigantescas falésias.   

Quem está a pé pode optar pelos passeios de bugue, bicicleta, canoa e à cavalo que descortinam paisagens intocadas. A rusticidade de Itaúnas é garantida não somente pela proteção do parque, mas também por seu acesso precário. A partir de Conceição da Barra, cidade da qual a vila é distrito, são 27 quilômetros de estada de terra.

 

Ilha do Mel

 Porque Ir ???

Incluir na bagagem uma dose extra de aventura é fundamental para quem segue rumo à rústica Ilha do Mel. Para início de conversa, o acesso ao paraíso é feito de barco, partindo de Paranaguá, Pontal do Paraná e de Morretes - desta última cidade, porém, só nos finais de semana e feriados. Uma vez em terra firme, prepare-se para encontrar ruas de areia salpicadas por casinhas simples de alvenaria onde carros não circulam. As caminhadas são regidas pela maré ou em meio a trilhas e, à noite, as lanternas são indispensáveis - não há iluminação pública na ilha. O cenário idílico ocupa uma área de 27,5 quilômetros quadrados, sendo 35 quilômetros só de praias. A maioria é selvagem, emoldurada pela Mata Atlântica e com características únicas - Fortaleza é praticamente deserta, enquanto Encantadas é o point do agito e praia Grande oferece as melhores ondas para a prática do surf. A turma espalha-se entre as duas vilas - Nova Brasília e Encantadas - que abrigam campings, pousadinhas e restaurantes caseiros de frutos do mar. Falando em infra-estrutura, a ilha tem acesso limitado e recebe, no máximo, cinco mil pessoas por dia. É uma maneira de evitar a degradação e manter o despojamento.

O tempo passa devagar na Ilha do Mel, o que incentiva as longas caminhadas rumo aos cartões-postais. Partindo de Nova Brasília, uma das trilhas mais bonitas e famosas leva ao Forte Nossa Senhora dos Prazeres, erguido no século 18 nas areias da praia da Fortaleza. A caminhada à beira-mar dura uma hora e vale o esforço - chegando na construção, suba até o topo para apreciar os canhões históricos e a belíssima vista panorâmica. 

Do outro lado da ilha, encare a escadaria que conduz ao Farol das Conchas, também com um visual desconcertante. Estique a passeio até a praia de Fora das Encantadas. Lá, uma gruta alimenta a imaginação dos ilhéus com lendas de sereias.